No passado dia 16 de Outubro teve lugar no anfiteatro da nossa escola um debate sobre o tema das Praxes.
O debate, que opunha representantes do M.A.T.A. (Movimento Anti Tradição Académica) e alunos da ESE a favor das praxes, iniciou-se com o visionamento de um documentário trazido pelos primeiros, que apesar da fraca qualidade de áudio deu o mote para o início das argumentações.
O M.A.T.A. expôs as suas ideias a favor de um conceito de escola como espaço social construído por todos os alunos, veteranos e recém-chegados, sem “receitas” preconcebidas e sem praxes, questionando o valor da tradição académica (que afirmaram ser historicamente recente) e das praxes enquanto ritual de integração dos alunos. Puseram em questão também a legitimidade e autoridade dos documentos de regulamentação das praxes, que indicam servirem apenas para implementar um sistema de autoritarismo, desrespeitando o valor do “dizer não” dos caloiros.
Já dos que argumentaram a favor das praxes, foi referido o valor da praxe enquanto ciclo de orientação ao longo da vida, e foi mencionado que a praxe na ESE é feita respeitando o limite pessoal de cada indivíduo. Uma das alunas em representação dos caloiros de 2008/2009 disse mesmo que não se sentiu violentada verbal ou fisicamente, foi sempre respeitada e concordou que a praxe serve um objectivo de integração.
Foram também postas em causa as formas de manifestação do MATA, com acusações de vandalismo e afirmações de contradições nas suas ideologias.
Discutiu-se também a questão do uso do traje por alunos anti-praxe, pois se por um lado foi dito que é um direito de todos os estudantes, também houve quem contra argumentasse, dizendo que o uso do traje é sinal do cumprimento da tradição académica, da qual fazem parte as praxes.
O debate prolongou-se por cerca de três horas, principalmente com a discussão de alguns conceitos, como o de tradição, de espírito académico e o da própria Praxe, sendo que foi dito do lado do M.A.T.A. que “a tradição não justifica a perpetuação de algo errado” e que “a Praxe é uma caricatura da sociedade, e que se caracteriza por demonstrar sinais de conformismo e outros males”. Já do lado favorável à Praxe, várias alunas da ESE defenderam que a tradição se traduz numa perpetuação de uma questão de identificação, e o espírito académico como algo emocional e que faz parte da vida social da escola, explicando que as praxes na ESE não têm um carácter impositivo, e não é discriminado quem decide não participar: “para dizer sim há que saber dizer não”.
No geral esta foi uma iniciativa bastante bem sucedida, que contou com uma grande adesão por parte da comunidade da ESE (alunos e professores), que não tiveram “papas na língua” para manifestar opiniões e acolher os convidados do M.A.T.A. com uma argumentação saudável e respeitadora de parte a parte.
Notou-se apenas, em nossa análise, uma incapacidade por parte dos alunos a favor da praxe em sair da realidade dos factos da ESE de Setúbal e discutir os conceitos gerais que os representantes do M.A.T.A. introduziram no debate, pois os convidados não pareceram muito interessados em discutir a praxe na ESE, mas sim a praxe em geral, coisa que acabou por ficar um pouco em segundo plano e que talvez desse uma dinâmica mais interessante ao debate.
Outro aspecto menos bem conseguido no debate foi o da moderação, que foi por vezes visivelmente tendenciosa para o lado anti-praxe (houve sempre uma preocupação com o tempo dado ao lado do M.A.T.A. para falar e à questão da apresentação do contraditório de argumentos, mas nem sempre tal se verificou para o lado oposto). No entanto o debate foi bastante produtivo no que diz respeito ao diálogo e discussão de questões da vida académica, e abriu um excelente precedente para se criarem mais iniciativas desta génese, sobre outros temas e esperemos que com igual ou até maior afluência de público.
Departamento de Comunicação e Imagem da AE ESES